Você está aqui: Página Inicial / Sala de Imprensa / Artigos e Colaborações / Ética: uma abordagem psicanalítica na Organização de Saúde

CRA

Ética: uma abordagem psicanalítica na Organização de Saúde

por José Eduardo Silva — publicado 14/09/2014 00h00, última modificação 19/04/2016 12h47 José Eduardo Silva

Por José Eduardo Silva

Podemos compreender que o verdadeiro propósito da ética reside no estabelecimento de princípios do comportamento desde que seja capaz de condicionar o indivíduo a realizar as próprias escolhas entre os diversos cursos de ação. Neste sentido o comportamento ético é, exatamente, aquele aceito como bom e certo, evidentemente contrapondo-se ao mau e errado. Isto nos leva a crer que o indivíduo deve se preocupar com o bom comportamento e, considerar que sua obrigação com o seu bem-estar devem ladear-se com o bem-estar dos outros indivíduos.

Numa organização de serviços de saúde o comportamento ético é cobrado e monitorado a todo custo, muito embora não se faça presente, em essência, nas situações frágeis, às que o indivíduo é condicionado. Diante da cultura o comportamento sofre forte influência da ética e, do respeito recíproco quando se trata do trabalho e das relações humanas nestas organizações.

Observamos que tanto o médico como o gestor hospitalar e demais profissionais ao lidar com as questões da saúde das pessoas, têm na sociedade o guardião e fiscalizador do comportamento ético na organização. Evidencia-se, porém, que ao trabalhador da área de saúde imputa-se em maior intensidade a cobrança em relação à ética profissional tanto quanto pessoal.

A sociedade moderna está sempre à espera que as organizações de serviços de saúde, bem como as demais instituições sociais, engendrem suas ações pautadas nos mais altos padrões morais. É, portanto, com este olhar social que os gestores e demais colaboradores se veem na iminente prática e dever obediente nos padrões comportamentais éticos, considerando, contudo, suas responsabilidades sociais.

Rosa e Rosa (2009, p.42) afirmam que,

O que define a ética na psicanálise é o fato de que, nesse caso, se considera o inconsciente e toda sua verdade. Verdade inaceitável para aqueles que consideram apenas o campo da consciência. A verdade do sujeito é a de que há um mal estar inerente à condição humana.

Queremos dizer que o indivíduo não é rico o bastante, não é feliz o bastante, não é belo o bastante, assim como falha no trabalho, falha no amor, falha na vida social, com suas escolhas e em atitudes. Nesta perspectiva a psicanálise auxilia para melhor compreensão junto ao desenvolvimento de procedimentos operacionais das organizações no âmbito das relações humanas. Com este olhar psicanalítico a ética está presente num juízo auferido sobre toda a nossa ação (LACAN apud CARVALHO, 2008).

No ambiente organizacional buscamos compreender o comportamento humano frente às adversidades na relação quadrimensional, ou seja, gestor- colaborador-cliente-sociedade, logo a utilização e/ou consideração do método psicanalítico de intervenção pode-se fazer necessário, evidentemente que no sentido amplo corrobora não só para uma compreensão comportamental, porém, social e responsável. Pois, o ser homem é por essência um ser sociável e necessita de sua interação para o próprio desenvolvimento.

Neste sentido a psicanálise não se afirma como uma proposta ética, tão somente, mas como um saber de dimensões humanistas que, pode auxiliar na construção de uma ética adequadamente aceitável às condições de uma sociedade contemporânea (KEHL, apud ROSA e ROSA, 2009).

O importante, inexoravelmente, é aceitar que independe da dimensão a que pertence o indivíduo, este não pode dissociar-se do conflito e da liberdade; da solidão e da sociabilidade. Daí o aspecto positivo no olhar psicanalítico, pois só assim é possível compreender que a ética em psicanálise vai bem além dos preceitos do ponto de vista do bem e do mal, do certo e errado, do justo e injusto. Em verdade a responsabilidade pelo desejo inconsciente que age em cada um de nós, assim como o respeito pelas diferenças do outro, representam atitudes éticas, para que a psicanálise ajude a resgatar e preservar a essência do ser humano em suas relações (ROSA e ROSA, 2009).

José Eduardo Silva

Geógrafo  e Gestor Hospitalar,  Especialista em  Administração Hospitalar; em  Administração com  ênfase  em marketing e  em Psicanálise aplicada a Educação e  saúde;  Mestre  em Psicanálise  aplicada a Educação e Saúde. Professor da IPESU e UNIP.  

registrado em:
Publicações